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Por que Warren Buffett não gosta de dividendos?

Você gosta de dividendos, não é verdade? A grande maioria dos investidores amarem receber dividendos. No entanto Warren Buffett, um dos investidores mais bem sucedidos da história pensa diferente de você. Quer saber por que?

Dividendos: existe uma ótima razão para a grande maioria dos investidores amarem recebê-los. Mas por que Warren Buffett não gosta deles? É o que vai descobrir agora.

Enquanto que lucrar com a valorização do preço das ações é algo imprevisível e incerto, o recebimento de dividendos é uma renda passiva garantida, independente de como anda o preço das ações.

Apesar disso, o mais respeitado investidor do mundo, Warren Buffett, não é um grande fã de dividendos. Quando os negócios de uma empresa estão indo bem, ou seja, gerando bons lucros, a empresa tem 4 coisas que pode fazer com estes lucros:

  1. Reinvestir para continuar crescendo
  2. Adquirir novas empresas ou participações
  3. Recomprar suas próprias ações
  4. Distribuir uma parte em dividendos

O percentual do lucro líquido pago na forma de dividendos é conhecido por Pay-Out. Por exemplo, se uma empresa reportou lucro líquido de R$ 100 milhões e distribuiu R$ 50 milhões em dividendos, o seu pay-out é 50%.

No Brasil, a lei obriga as companhias a distribuírem pelo menos 25% dos lucros desta forma. Os dividendos podem ter periodicidade mensal, trimestral, semestral, anual, etc.

Uma das desvantagens de um alto pay-out, ou seja, a empresa pagar grande parte de seu lucro é que os lucros retidos na empresa diminuem e isso pode comprometer seu crescimento futuro.

E essa é uma das razões pelas quais Warren Buffett é cético em relação ao pagamento de dividendos. Na sua forma de pensar, Buffett acredita que uma empresa só deve paga-los  se isso fizer sentido de alguma forma.

Em outras palavras, deve haver uma razão muito clara e importante para esse fato acontecer.

Por que Warren Buffett não gosta de dividendos?

Na prática, o que Buffett quer dizer é que a empresa só deve distribuir dividendos se não tiver um melhor uso para esse dinheiro, ou seja, se ela não enxerga nenhum uso útil deste capital para fazer crescer o negócio.

Ainda, por outro lado, se a empresa vem apresentando alto retorno sobre seu capital próprio, faz mais sentido a empresa reter esse capital a reinvestir no negócio do que distribuir aos acionistas.

O indicador que mede o retorno sobre o capital próprio é o ROE, que é um percentual do lucro líquido em relação ao patrimônio liquido da empresa.

Por exemplo, se a empresa lucrou R$ 25 milhões em determinado ano e seu patrimônio liquido era de R$ 100 milhões, o ROE desta empresa é de 25%.

Veja aqui o exemplo da Lojas Renner (LREN3)

ROE Lojas Renner

Assim, com a retenção dos lucros, a empresa estará financiando seu crescimento futuro. Na visão do acionista, é preferível manter o dinheiro na empresa do que embolsar esse capital e não saber onde investir ou investir em algo que gere retorno inferior.

Reflita um pouco sobre isso…

Se você encontra uma empresa que é capaz de gerar um retorno sobre capital próprio na ordem de 30% (ROE), você gostaria que ela distribuísse os lucros em dividendos no qual você terá que reinvestir em outra empresa, ou você gostaria que a empresa retivesse esse dinheiro e reinvestisse para continuar mantendo a taxa de retorno de 30% ao ano e se beneficiar do poder dos juros compostos?

Veja o Ranking das empresas com maiorRetorno sobre Patrimônio Líquido clicando aqui.

Mas lembre-se de não tomar nenhuma decisão baseada apenas nesse indicador.

De fato, o recebimento de dividendos é capaz de manter um rendimento constante e permanente para seus investimentos. Entretanto, eles reduzem os lucros retidos na empresa e podem prejudicar o crescimento futuro dos negócios.

Por isso, como Warren Buffett costuma destacar, se o seu objetivo é o maior retorno possível sobre seus investimento ao longo do tempo, então você deve ser cético em relação a empresas que pagam elevados dividendos.

Por outro lado, também há investidores que adoram receber dividendos. Eles usam o mesmo para comprar mais ações e assim receber uma parcela cada vez maior de lucro.

De todo modo, antes de qualquer escolha, leve em conta quais são seus objetivos com seus investimentos.

Se você busca obter uma renda passiva, investir em empresas boas pagadoras de dividendos pode ser um ótimo negócio, mas se você visa altos retornos no longo prazo, é melhor buscar empresas que distribuem pouco dividendos e reinvestem massivamente no crescimento do negócio.

Se você resolver investir em empresas que pagam bons dividendos e possuem alto pay-out, fique atento a sustentabilidade destes dividendos, ou seja, se esta distribuição de lucros não é prejudicial para o crescimento do negócio.

E também verifique se a empresa apresenta um histórico crescente de pagamentos. E por fim, certifique-se que a empresa esta distribuindo resultados por que não tem um melhor uso para o dinheiro ou se é apenas para agradar os acionistas.

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Espero que este artigo tenha ajudado você a entender melhor sobre a dinâmica dos dividendos.

Até o próximo artigo. Um abraço!

(crédito das imagens: shutterstock.com)

André Fogaça

André Fogaça é empreendedor digital, investidor e co-fundador do GuiaInvest. É formado em Administração de Empresas pela UFRGS e pós-graduado em Economia e Finanças pela mesma instituição. Possui credencial de administrador de carteiras e consultor de valores mobiliários pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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