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Trump x China: o duelo da vez

O grande duelo da vez poderia ser um grande jogo de Copa do Mundo.

Mas não é.

Se meu propósito aqui é ajudar os leitores a entenderem melhor o mundo à nossa volta e com isso tomarem as melhores decisões de investimento, pecaria se hoje não falasse da queda de braço entre Trump e a China, que está tomando contornos mais tensos.

Se você sabe pouco, ou absolutamente nada sobre esse assunto, gostaria de que hoje marcasse o dia em que você entendeu isso de uma vez por todas.

Vamos lá:

Desde a década de 80, a indústria chinesa cresceu muito. Entre outras coisas, um fator que contribuiu muito com isso foi a mão-de-obra barata presente no país, que permitia margens de lucro atrativas para os empresários.

Com esse crescimento exponencial da indústria, o dragão asiático se tornou um grande exportador de produtos manufaturados.

Não vou entrar no mérito de que hoje eles dispõem de uma indústria da mais alta sofisticação tecnológica e obviamente não estão restritos a produção de manufaturados.

Mas a indústria manufatureira ilustra bem o caso.

Veja:

Para a maioria dos países, vale mais a pena importar um sapato da China do que produzi-lo dentro do território nacional.

Mais do que isso, quando você vai a uma loja comprar um sapato, o importado chinês é mais barato do que o semelhante produzido em território nacional.

Esse movimento criou um processo de desindustrialização nos Estados Unidos, no Brasil, na Europa.

Muitas fábricas fecharam nos Estados Unidos por conta disso.

Muitas pessoas ficaram sem emprego e sem renda.

Donald Trump, se aproveitando da fragilidade desses grupos, prometeu na sua campanha aumentar os impostos sobre bens importados da China, fazendo com que eles fiquem mais caros para o consumidor final.

Isso também estimularia uma recuperação da indústria norte-americana, trazendo de volta os empregos perdidos ao longo dessas décadas.

Em teoria, os americanos demandariam mais os produtos produzidos dentro dos Estados Unidos em detrimento de importados.

Obviamente, isso é apenas um ponto de vista de uma discussão muito complexa, mas serve muito bem para compreendermos as motivações de Trump.

Ontem, os mercados financeiros globais amanheceram tensos com um pedido de Trump para preparar uma lista de produtos chineses a serem taxados nos Estados Unidos.

A China disse que se houver taxação, irá responder taxando produtos norte-americanos que entram na China.

E Trump disse que fará uma tréplica, caso houver resposta da China.

Blefe do cabeça laranja?

Talvez. Não sabemos e nada podemos prever.

O melhor que temos a fazer é tomar decisões dado que não sabemos nada do futuro.

Se o futuro é o desaquecimento do comércio mundial, certamente oportunidades novas poderão aparecer diante disso.

No Brasil, as principais empresas exportadoras podem sofrer com isso. Não à toa, ontem a Vale (VALE3) estava em forte queda.

Particularmente, não vejo com bons olhos a posição de Trump, mas entendo que ele esteja sendo pragmático e coerente com o que prometeu em campanha.

Hoje teremos reunião do Copom (comitê que decide os rumos da taxa de juros básica, a Selic) e, diante dessa tensão com a guerra comercial entre EUA e China, cogita-se que possa haver aumento da taxa de juros básica da economia brasileira.

Por quê?

Porque a diferença entre os juros norte-americanos (entre 1,75% e 2%) e o juro brasileiro (6,5%) é uma das menores da história.

Se valer mais a pena ganhar 2% ao ano em dólar do que 6,5% ao ano em reais, vai ter dólar saindo do Brasil e nossa taxa de câmbio pode disparar.

Mas vamos aguardar para ver o que vai acontecer. Meu palpite é que para essa reunião tudo permanece como está.

De toda forma, mesmo com a Selic ainda baixa, os títulos prefixados do Tesouro Direto estão oferecendo uma rentabilidade atraente, de quase 12% ao ano.

Será que a renda fixa está de volta, com aquele 1% ao mês sem risco?

Mesmo que esteja, ainda vejo com bons olhos a recente queda da bolsa de valores. Muita coisa boa ficou barata e, em meio a crise, o setor de utilidade pública é mais resistente a turbulências no mercado.

Mas optar pela renda fixa ou pela renda variável?

Pelas duas, ora.

O importante é tirar o seu dinheiro da poupança e sair do Ponto Zero da sua vida financeira.

O Projeto Ponto Zero já começou e tá dando uma grande ajuda para muita gente começar a trilhar o caminho rumo à Nova Aposentadoria.

Aproveite essa semana que estaremos dando todo gás nesse projeto.

Um abraço e até semana que vem.

Ps.: Neymar e cia decepcionaram na estreia. Mas faz parte, sigo confiando no trabalho do Tite. Nenhuma seleção favorita atropelou.

Martin Kirsten

Economista do GI. Mestre e Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Investidor desde 2013, já trabalhou no mercado financeiro e assina a newsletter Recado do Economista aqui no GI. É um amante de café e de uma boa culinária.

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