GuiaInvest

Como pensar um portfólio para qualquer momento do mercado

Rentabilidade, segurança, diversificação e proteções

Olá, como vamos?

Recentemente recebi várias perguntas sobre como construir uma carteira e diversificar o portfólio.

Escrevo bastante sobre isso semanalmente, mas nunca tinha feito um texto falando exclusivamente sobre isso.

Chegou o dia. Vamos lá: direto e reto.

Como começar?

A primeira coisa é tomar vergonha na cara e sair da poupança e do bancão em geral.

Eu sei que é uma aplicação prática, mas também é uma forma prática de não se ganhar nada.

Para investir, é preciso abrir conta em uma corretora independente onde você terá acesso a produtos melhores.

Hoje eu indico a Ável, que é um escritório de agentes autônomos vinculado à Xp e que tem parceria com o GuiaInvest.

Ok, agora é hora de você por a mão na massa.

O que fazer com aquele dinheiro que estava na poupança?

Você precisa formar uma reserva de emergência e, mais do que isso, precisa estipular um percentual que você não quer que sofra volatilidade de jeito nenhum.

Tudo bem até aqui?

Eu vou construir uma carteira para um investidor hipoteticamente moderado.

Esse investidor vai deixar 55 por cento do patrimônio acumulado em renda fixa, que é o somatório da sua reserva de emergência e de uma fração do capital que ele quer deixar livre de volatilidade.

Mas qual produto é o mais adequado para isso?

Bom: ou você pode optar pelo Tesouro Selic (é o que eu faço) ou por um Fundo DI com baixa taxa de administração (máximo 0,5 por cento ao ano) e com liquidez imediata.

Vale também deixar na Nuconta, que rende 100 por cento do CDI.

“Mas Martin, você não disse que a renda fixa tava morta?”

Como forma de acumular patrimônio sim, está morta, mas ela ainda tem função para compor o seu portfólio.

Você não vai expor todo seu portfólio ao sobe e desce da bolsa, por melhores que sejam as ações que você esteja investindo.

De toda forma, não se expor a bolsa de valores hoje em dia já é loucura.

Um portfólio composto 100 por cento de Tesouro Selic, há 3 anos, era rentável e seguro. Mundo perfeito.

Mas isso acabou.

Bom, mas o que fazer com o resto?

Então vamos lá: 55 por cento em Tesouro Selic (Fundo DI barato ou Nuconta) para você ter segurança e vamos buscar rentabilidade nos 45 por cento restantes.

Se você quiser compor esses 45 por cento com umas 10 ações, representando cada uma 4,5 por cento do total do portfólio, está tudo certo.

Também pode ser 55 por cento Tesouro Selic e 45 por cento BOVA11. Isso já é muito melhor do que a grande maioria da população faz e já vai gerar resultados bem legais para você.

No meio de um mercado de alta tudo vai ficar bonito, o que é o caso de hoje em dia.

Mas o propósito aqui é que você monte uma carteira para qualquer cenário do mercado, para ir bem em momento ruins também.

Sendo assim, vamos destinar os recursos da seguinte maneira:
– uma parte em ações, para você rentabilizar seu patrimônio com o ciclo de alta da bolsa;
– outra em fundos imobiliários, para você não sofrer tanta volatilidade e de quebra receber aluguéis mensais;
– fundos multimercados de baixa volatilidade, que unem rentabilidade e segurança nas suas estratégias de gestão;
– e proteções (moedas fortes e metais), que são ativos que não vão contribuir muito para a rentabilidade da sua carteira, mas que, quando o mercado for mal, eles vão ir muito bem, de forma que a sua carteira vai estar protegida.

Mas em que proporção colocamos cada classe de ativo?

Bom essa pizza aqui embaixo resolve esse problema:

Vamos manter uma proporção alta nos multimercados de baixa volatilidade para não expor demais a sua carteira, mesmo que ela esteja alocada 55 por cento em renda fixa.

A fatia vermelha do gráfico, onde está escrito “Renda Variável”, nós queremos dizer “ações”, e ali vamos ficar somente com 13 por cento do total do portfólio. Essa faixa deve ter em torno de 10 ações de boas empresas.

Aquele pouquinho em imóveis vai garantir aquele pinga-pinga mensal que é uma delícia para qualquer investidor, independentemente do valor que caia.

O outro pouquinho em proteções não pode pesar muito no portfólio e, por isso, destinamos apenas 5 por cento do total. Como eu disse antes, é apenas para a sua carteira aguentar o tranco nos momentos ruins do mercado.

Bom, você já sabe em qual corretora pode abrir conta.

Sendo assim, você tem duas opções:
a) fazer o simples dividindo seu portfólio em Tesouro Selic e BOVA11 (acredite, já está ótimo);
b) sofisticar um pouco em busca de ganhos mais expressivos e montar essa carteira que eu acabei de mostrar e que o Marcelo Fayh toca com maestria no nosso novo canal: o Carteira GuiaInvest.

E aí? Ficou alguma dúvida?

Alguma crítica, sugestão ou, por que não, um elogio?

Fique à vontade de responder esse e-mail com dúvidas ou feedbacks.

Um abraço e até semana que vem.

 

Martin faz parte da equipe do GuiaInvest desde início de 2017. É Mestre e Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escreve para a TheCap na coluna Contra a Corrente.

Martin Kirsten

Economista do GI. Mestre e Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Investidor desde 2013, já trabalhou no mercado financeiro e assina a newsletter Recado do Economista aqui no GI. É um amante de café e de uma boa culinária.