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O caso Cielo: é hora de comprar ou vender?

A concorrência aumentou, o preço da ação caiu, a empresa adotou um novo modelo de negócio para tentar reagir. Em meio a essa “guerra das maquininhas”, será que investir na Cielo ainda é um bom negócio?

Desde que o preço de suas ações tem caído, o caso Cielo virou assunto nas rodas de conversa de investidores.

As ações da Cielo (CIEL3) fazem parte do Índice Bovespa, o Ibovespa, constituindo atualmente 0,792% do peso da carteira teórica de ações.

Em meio ao acirramento da “guerra das maquininhas”, a Cielo foi atingida em cheio. Em consequência disso, sua ação está ficando barata. No índice no mês de abril, a Cielo representou a maior queda da Bolsa de Valores, com -19,07%.

Contudo, a empresa já anunciou medidas buscando reagir perante às rivais.

Mas e agora, com as ações da Cielo mais baratas, esse é o momento de comprá-las ou vendê-las?

Será que este é o momento que elas voltarão a subir ou estão fadadas ao fracasso?

Por que as ações da Cielo desabaram?

A Cielo foi criada no ano de 1995 por grandes bancos juntamente com a Visa Internacional, com o objetivo de unificar e aperfeiçoar as relações com todos os estabelecimentos afiliados à bandeira Visa no Brasil.

A companhia evoluiu rapidamente e logo viria a se tornar a líder no país. Porém, em meados de 2016 a concorrência enxergou uma ótima oportunidade de negócio nesse segmento de maquininhas de pagamentos.

Se antes, a Cielo atuava praticamente sozinha no mercado, dividindo o segmento somente com a Redecard, hoje o setor mudou e a concorrência aumentou.

Para ganhar mercado, as outras empresas do setor diminuíram os custos para os consumidores finais. Para o lojista, não importa qual a marca da maquininha. Ele quer que ela funcione bem e tenha o menor preço possível.

A Cielo vem sofrendo cada vez mais com a concorrência. A medida que foram entrando novos players no mercado, a margem de lucro das ações Cielo foram caindo. Em janeiro deste ano, a empresa anunciou que o lucro deve recuar até 30% em 2019.

Vale a pena comprar Cielo?

É evidente que os números da Cielo pioraram, mas não podemos dizer que por isso ela é uma empresa ruim. Se analisarmos, ela tem fundamentos favoráveis, porém, o segmento que ela está inserida mudou e ela ainda está se adaptando às novas condições.

Entenda a “guerra das maquininhas”

O setor das maquininhas de pagamentos, que antes era dominado por duas empresas, explodiu de concorrentes querendo uma fatia desse mercado. Dando início ao que chamamos hoje de “Guerra das Maquininhas”.

Ainda em 2016 a Cielo começou a perder uma parte do mercado para a PagSeguro com a “moderninha”. Desde lá a concorrência não parou. Em 2018 a Stone veio com força realizando seu IPO na Nasdaq.

No mesmo ano, a Cielo comprou a Stelo, mas a concorrência continuou com a Linx, Rede, Getnet, entre outras, querendo conquistar seu espaço neste segmento.

O negócio virou uma commodity. Apesar de muitos players ainda insistem em competir com base no preço, outros já entenderam que é necessário olhar para a necessidade do lojista. Com isso, a movimentação no setor de máquinas de cartão voltou.

A Rede, do Itaú, anunciou a isenção da taxa de antecipação. Apesar das manifestações das concorrentes, muitas também abriram mão da taxa.

A Cielo, por sua vez, criou o programa “vendeu, recebeu”, possibilitando que o dinheiro caia na conta digital do comerciante no momento em que a compra for realizada.

O caso Cielo: é hora de comprar ou vender?

Será que o problema está apenas no aumento da concorrência?

Será que a tensão no segmento das maquininhas de pagamento é decorrente apenas da competição entre as empresas?

O caso da Cielo nos faz pensar sobre os ciclos tecnológicos. Será que o cartão de crédito e a maquininha de cartão ainda serão utilizados daqui a 10 anos?

O surgimento da Cielo decorreu de uma necessidade do mercado. Assim como em qualquer outro ciclo tecnológico, esse segmento se expandiu e alcançou o seu auge com diversas empresas disputando seu lugar.

Porém, conforme novas tecnologias surgem, elas passam a tomar conta até que a anterior se não se torne mais relevante no mercado.

Diversos produtos que antes eram considerados indispensáveis, acabaram em desuso. Isso aconteceu, por exemplo, com a máquina de escrever, a calculadora, o filme fotográfico, o fax, o cheque, o vídeo cassete, o DVD, entre tantos outros.

Será que não estamos no início de uma revolução nos meios de pagamento? O pagamento através do celular, com cartão virtual, já é uma realidade e seu uso vem crescendo.

As pessoas deixarão de usar o cartão de crédito e os cartões virtuais irão substituir os meios físicos? Se isso acontecer, quem irá dominar esse mercado?

Além dos preços mais competitivos, as empresas de maquininhas devem focar na modernização dos seus serviços. Isso faz sentido para você?

Nova estratégia da Cielo

Com suas ações em queda desde 2015, a credenciadora de cartões Cielo adotou recentemente um novo modelo de negócios, que tem como alvo direto os pequenos e médios comerciantes.

Essa estratégia, promovida pelo presidente Paulo Caffarelli, trouxe resultados para a companhia. A Cielo voltou a crescer e aumentou sua participação de mercado no primeiro trimestre pela primeira vez desde meados de 2017.

Segundo estimativas, a participação de mercado da empresa subiu para 42,4%, ante 41,7% do último trimestre de 2018.

Ainda assim, seu lucro no primeiro trimestre caiu 45%, em meio a margens de lucros mais baixas decorrentes dos cortes de preços.

Comprar ou vender ações da Cielo?

Como o preço das ações da Cielo caindo, o dividend yield, que é o indicador que avalia as empresas de acordo com os dividendos pagos nos últimos 12 meses dividido pelo preço, aumenta.

Se olharmos somente esse indicador de forma isolada, ele é quase o dobro da renda fixa. Porém, esse indicador só está alto porque o preço da ação está baixo. Então, comprar ação da Cielo somente por causa do dividend yield alto é um tiro no pé.

Já mostramos Como fazer uma Análise de Ações em 6 passos e Quais Indicadores Fundamentalistas Olhar ao Avaliar uma Ação

Se as ações da empresa continuarão a cair ou se vai aumentar, ninguém pode afirmar.

O mais provável é que as margens de lucro altas de antigamente não sejam mais as mesmas, uma vez que o setor mudou. Porém, isso não quer dizer que a Cielo não possa se reinventar e aumentar sua receita no futuro.

As opiniões sobre o caso Cielo divergem e fazem parte das conversas entre os investidores.

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