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Ingresso para a final da Copa América

Como você lidaria com as situações a seguir?

Você comprou antecipado o ingresso para a final da Copa América no Maracanã no valor de 400 reais.

Ao chegar no estádio, você percebe que perdeu o ingresso no meio do caminho. Nesta situação você compraria um novo ingresso ou desistiria de assistir o jogo no estádio?

Provavelmente, se você pensa como a maioria, ficaria extremamente chateado e desistiria de entrar no estádio. Agora, proponho um cenário alternativo.

Digamos que você ainda não tivesse adquirido o ingresso e tivesse ido até o estádio para assistir o jogo.

Ao chegar na fila da bilheteria você percebe que perdeu os 400 reais que havia separado no bolso para comprar o ingresso.

Felizmente, apesar do ocorrido, você se dá conta que tem dinheiro suficiente na carteira para a compra do ingresso.

Neste caso, mesmo tendo perdido os 400 reais você compraria o ingresso para entrar no estádio ou voltaria para casa?

Provavelmente, você compraria o ingresso. Mas por que isso acontece?

Bom, você concorda que em ambos cenários a perda é de 400 reais, certo?

Entretanto, no segundo cenário você separou a perda de 400 reais do custo da aquisição do ingresso (também de 400 reais).

Isto é, o custo para assistir à partida foi de apenas 400 reais. Percebe que os 400 reais perdidos inicialmente ainda não havia sido “contabilizado” como custo.

Interessante, concorda?

Enquanto que no primeiro cenário, você optou desistir porque considerou que o custo total de assistir o jogo seria de 800 reais pois teria que gastar o valor de 2 ingressos para entrar no estádio.

Veja, isso não acontece por acaso. Existe uma explicação comportamental para isso…

Os estudiosos das finanças comportamentais chamaram de contabilidade mental a tendência que nós temos de separar nosso dinheiro em compartimentos separados (mental ou verdadeiro) baseadas em critérios subjetivos, tais como a origem do dinheiro e sua finalidade.

A ideia de separar o dinheiro de acordo com a finalidade pode ser um modo útil de se organizar, mas mantém você distante de enxergar sua situação financeira como um todo.

Um típico exemplo de contabilidade mental é o caso de pessoas que possuem dinheiro aplicado na poupança, mas pedem empréstimo bancário para pagar dívidas do cartão de crédito.

Embora ter um dinheiro economizado na poupança seja importante, às vezes, faz mais sentido usar sua poupança para pagar as dívidas.

No mercado de ações, a contabilidade mental pode ser observada quando investidores costumam assumir riscos mais elevados com o dinheiro proveniente dos lucros do que com o dinheiro proveniente de seu salário como empregado.

Também, observa-se esse fenômeno em apostadores de cassino, que costumam ser mais negligentes nos gastos com o dinheiro oriundo de suas apostas, do que com o dinheiro proveniente de suas economias.

Agora que você sabe o que é a contabilidade mental, como você pode saber se está mais vulnerável aos efeitos deste viés comportamental?

A primeiro situação que indica sua vulnerabilidade é aquela em que você não se considera gastador ou consumista, mas tem uma enorme dificuldade em economizar dinheiro.

A segunda é quando você tem dinheiro economizado, mas nunca consegue pagar toda fatura do cartão de crédito.

Aposto que você conhece pessoas que pagam apenas o mínimo do cartão, mesmo tendo dinheiro economizado.

A terceira situação é aquela que você costuma gastar mais com cartão de crédito do que com dinheiro vivo.

E a última e mais relevante para você investidor é quando você se senta mais confortável em gastar os lucros obtidos no mercado de ações do que o dinheiro proveniente do seu trabalho.

Se você é parecido comigo, acredito que tenha se identificado com esse tipo de comportamento.

A dica é simples: fique atento a estes comportamentos ao longo de sua jornada de investidor.

Isso pode atrapalhar o caminho rumo a sua liberdade financeira.

E também a sua alegria de ver o Brasil vencer essa Copa América.

Será?

Um abraço,
André Fogaça

André Fogaça

André Fogaça é empreendedor digital, investidor e co-fundador do GuiaInvest. É formado em Administração de Empresas pela UFRGS e pós-graduado em Economia e Finanças pela mesma instituição. Possui credencial de administrador de carteiras e consultor de valores mobiliários pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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