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Brasil com juros de EUA, UE e Japão

Juro abaixo de 5 por cento ao ano?

Caro leitor,

Uma breve análise do cenário econômico e um “o que fazer diante disso”…

Segunda-feira o Boletim Focus interrompeu as quedas na expectativa de crescimento econômico para 2019 depois de 20 semanas consecutivas.

Até semana passada a expectativa era de crescimento do PIB para 2019 era de 0,81 por cento e ela foi revista para 0,82.

Ok, economista usa duas casas após a vírgula porque tem senso de humor mesmo, mas de toda forma a boa notícia ficou por conta da interrupção nas quedas.

A projeção de inflação veio abaixo da feita semana passada, de 3,82 por cento para 3,78 por cento no ano de 2019.

A novidade é que o mercado finalmente está enxergando os (há muito tempo necessários) juros mais baixos.

Expectativa de Selic em 5,5 ao ano ao final de 2019 e 5,75 em 2020.

O recesso do Congresso trouxe um noticiário mais calmo nos últimos dias, mas temos uma iminente aprovação da Reforma da Previdência.

É inocente pensar que a Reforma da Previdência combinada com um juro baixo trará crescimento econômico por si só.

Devem entrar na pauta uma reforma tributária e outras reformas microeconômicas na tentativa de reaquecer a economia, que ainda patina.

Fato é que o juro pode baixar ainda mais do que se espera… não me surpreenderia ver a Selic em “4 ponto algo” ao ano.

Não vindo nenhum choque externo, essa será a realidade imposta.

Fica a pergunta: será que caminhamos para ter taxas de juros de EUA, UE e Japão?

Dito isso, vamos ao que verdadeiramente interessa: o que fazer diante disso.

Bom, não existe um bom investimento. Qualquer investimento isolado não nos diz nada. Temos que ter noção de portfólio.

É importante você ter a sua reserva de emergência com algum investimento seguro e líquido, então tenha uma boa parte do seu portfólio alocada em Tesouro Selic.

Com uma possível queda nos juros, os títulos Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 e 2050 ainda oferecem uma gordura nos prêmios, podendo ter boas valorizações de curto prazo.

Ficar fora da bolsa hoje em dia é uma das coisas mais insensatas para quem investe. Ao menos 10 por cento do seu portfólio merece esse destino.

Uma parte pode ser em BOVA11 para surfar a alta geral da bolsa nos próximos meses e anos.

Para fechar a pizza, uma pequena parte pode incluir small caps. Qualquer pequena exposição nesse tipo de ação pode fazer diferença para o seu resultado final do seu portfólio.

É daí que virão as maiores porradas desse ciclo de alta.

Bom, agora o último conselho: compre bolsa agora, com o índice em 100 mil pontos. Se você esperar “ficar tudo bem”, vai comprar com Ibovespa já em 130 mil pontos e ainda assim não estará “tudo bem”. Não faz sentido.

Qualquer dúvida, me deixe uma mensagem.

Um abraço e até semana que vem.

Martin Kirsten

Economista do GI. Mestre e Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Investidor desde 2013, já trabalhou no mercado financeiro e assina a newsletter Recado do Economista aqui no GI. É um amante de café e de uma boa culinária.

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