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Investimento Contrário: Por Que Você Deve Ser Um Investidor Diferente

Você saberia dizer qual a relação da Turma da Mônica com investimento em ações? Ficou curioso? Hoje eu trouxe o exemplo de um simpático personagem criado por Maurício de Souza para ilustrar o tema da nossa conversa: o Contrarian Investment.

Investimento contrário? O que significa isso e como você pode se beneficiar muito por ser um investidor diferente. Acompanhe neste artigo.

Vou começar o artigo de hoje falando um pouco sobre um personagem dos quadrinhos que marcou a minha infância. Quem sabe a sua também…

O Do Contra faz parte da Turma da Mônica. Enquanto o Cebolinha fala elado, a Magali come enlouquecidamente e o Cascão não gosta de tomar banho, o Do Contra faz jus ao seu apelido: sempre pensa e age ao contrário de tudo e de todos.

É verdade que muitas vezes ele faz isso apenas para incomodar, mas quem lê suas histórias, além de se divertir, aprende muito sobre ser você mesmo, ter opinião própria e não fazer o que os outros fazem apenas para se enturmar.

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Não, agora o blog não será dedicado a críticas de clássicos da literatura infanto-juvenil brasileira. Trouxe o exemplo do simpático personagem criado por Maurício de Souza porque ele ilustra bem o tema da nossa conversa de hoje: o Contrarian Investment. Ou a arte do investimento contrario, em bom português.

Talvez não exista melhor forma de mostrar a você por que é importante que o Investimento Contrário faça parte de sua vida daqui em diante do que relembrar o histórico episódio da bolha das empresas pontocom, que ocorreu na virada do século. Há uma ótima lição para se absorver dali…

Entre 1997 e 2000, investidores fizeram fortunas apostando em promissoras empresas de tecnologia na NASDAQ. A valorização das ações foi mesmo extraordinária no período, mas não havia razão para aquele movimento estar ocorrendo. Era uma euforia generalizada e longe de ser baseada em fundamentos.

Como toda bolha, não demorou para explodir, derreter ações e, também, o bolso de muitos.

Quando a bolha estava em sua auge e parecia ser fonte de dinheiro fácil, Warren Buffett foi questionado sobre por que não estava surfando aquela onda. A resposta dele foi algo como:

Não entendo nada disso e não vejo sentido nesse movimento de alta. Logo, não me interessa.

Vale lembrar uma lição dele que cabe bem para ilustrar a história:

Tenha medo quando os outros estão gananciosos e seja ganancioso quando os outros estão com medo.

A profecia do mago de Omaha não demorou para se concretizar. Enquanto ele via o mercado todo correndo para comprar empresas de nomes estranhos e modernos que, em alguns casos, não passavam disso, Buffett foi buscar oportunidades em outros setores e, mais tarde, riu à toa.

É exatamente isso que defende a estratégia do Investimento Contrário. Tem a ver com muito do que falo aqui repetidamente: ter voz própria para investir, não crer em unanimidades, evitar cair no senso comum e fugir da manada. A seguir vou reunir algumas dicas para você ser um bom investidor ao contrário.

Se está no noticiário é porque você chegou tarde

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Na esteira da frase de Buffett que eu escrevi há pouco, o noticiário é extremamente importante. Quando você ler boas ou más notícias relacionadas ao seus investimentos bombando na imprensa é um ótimo momento para tomar uma postura inversa ao que a mídia prega.

Não se preocupe em consumir diversas fontes de informação para basear suas decisões. Quando a notícia estiver nas capas dos jornais e portais, a probabilidade de você fazer um bom investimento a partir dela é mínima. A análise independente, quando se sabe o que está fazendo, é sua melhor fonte para investir com sucesso.

Investir ao contrário exige tempo, disciplina, paciência e inteligência emocional

Nada disso é novo para você que está acostumado a ler o que eu escrevo e a estudar sobre value investing. A verdade é (e eu não canso de repetir) que não existe almoço grátis no mercado de ações e não existem segredos para enriquecer da noite para o dia. A bolsa deve ser sempre vista como uma forma de investimento a longo prazo. E quando falamos em adotar uma postura contrária ao que a maioria está fazendo, essa visão se reforça ainda mais.

As pessoas falham ao investir quando não se planejam e não conseguem controlar suas emoções. Investir ao contrário da manada não é tarefa fácil, mas importante.

11 regras para entender o Investimento Contrário

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No livro Contrarian Investment Strategies: beat the market by going against the crowd, sem tradução no Brasil, mas que seria algo como Estratégias de Investimento Contrário: supere o mercado indo contra a multidão, David Dreman reúne 41 regras que devem ser respeitadas se você deseja ter uma postura oposta à da maioria dos que investem em ações. Eu separei aqui as que considero mais importantes. Tome nota!

Regra 1 – Respeite a dificuldade de lidar com uma infinidade de informações. Poucos conseguem fazer isso com sucesso.

Regra 2 – Não existem segmentos altamente previsíveis em que você pode traçar previsões 100% seguras. Contar com isso pode lhe causar problemas.

Regra 3 – Analistas de tendências são geralmente otimistas. Ver o futuro com um viés mais cauteloso é seu trabalho.

Regra 4 – Em uma economia dinâmica, que constantemente muda suas condições políticas e econômicas, é impossível usar o passado para estimar o futuro.

Regra 5 – Seja realista sobre o lado ruim de um investimento. Reconheça a tendência humana de que somos otimistas e confiantes. Espere o pior de sua projeção inicial.

Abrindo um parênteses nesse tópico: Lembre-se do conceito de margem de segurança. Já falei sobre ele aqui.

Regra 6 – Surpresas positivas e negativas afetam as melhores e piores ações de forma oposta.

Regra 7 – Compre empresas sólidas, mas sub-avaliadas pelo mercado, após fazer sua lição de casa sem se importar com fatores externos (como o noticiário). Confie em sua análise (e lembre-se de que eu falei que é difícil ser um investidor contrário). Sangue frio é preciso.

Regra 8 – Evite fazer trades desnecessários. Os custos vão consumir seu lucro com o passar do tempo.

Regra 9 – Só adote a postura contrária ao comprar ações quando a performance e perspectivas da empresa forem superiores ao que hoje ela é.

Regra 10 – Venda a ação quando o P/L se aproximar da média, e substitua-a por outra com larga margem de segurança independente das tendências e apego emocional que tem àquele papel.

Regra 11 – Não se deixe influenciar pelo recorde de curto prazo de um gestor, corretor, analista ou conselheiro, não importa quão impressionante for. Falei um pouco sobre o que você deve avaliar em um “profissional do dinheiro” neste artigo.

E você, se considera um investidor amigo do ? Quais são suas técnicas e estratégias para ir contra a manada?

Bons investimentos.

Crédito das imagens: www.shutterstock.com

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André Fogaça

André Fogaça é empreendedor digital, investidor e co-fundador do GuiaInvest. É formado em Administração de Empresas pela UFRGS e pós-graduado em Economia e Finanças pela mesma instituição. Possui credencial de administrador de carteiras e consultor de valores mobiliários pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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