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Os Grandes Vilões dos Investimentos (parte 2)

Há alguns dias você leu aqui um artigo em que apresentei os 9 grandes vilões dos investimentos. Depois que escrevi, fiquei pensando em outros personagens e consegui estender a lista – foi um exercício bem divertido, aliás.

Hoje quero apresentar a você mais 9 vilões e trazer dicas e reflexões a partir deles. Prepare a pipoca e boa leitura.

1 – Freddie Kruger: Ainda não posso investir

Freddie Kruger: Ainda não posso investir

O grande vilão dos filmes de terror (ou comédia, dependendo da pessoa a quem você pergunta) ataca as pessoas bem quando elas estão mais vulneráveis, sonhando. E o sonho, como se sabe, aceita tudo.

E porque digo que este é um dos grandes vilões dos investimentos?

Muitas pessoas acreditam no sonho. Isto é, apenas sonham com o dia em que poderão investir, conquistar uma boa renda passiva e curtir a vida.

E ficam apenas nisso, ao mesmo tempo em que buscam mil desculpas para não dar o passo que precisam. Veja se reconhece algumas das frases mais clássicas ditas por essas pessoas:

“Quando pagar tal conta vou investir.”

“Agora estou pagando o carro, mas depois vou começar a comprar ações e ninguém me segura.”

“Com o bebê não dá, mas tenho acompanhado algumas empresas boas, e quando o moleque fizer dois anos, dá para começar.”

E assim por diante.

Como eu disse neste artigo, se você não se programar para viver com 70% ou menos de seus rendimentos, você nunca vai conseguir o momento mágico de investir.

Sempre haverá mais despesas “competindo” pelo seu dinheiro. O seu sonho continuará a ser sonho, e você não precisará do Freddie para viver o pesadelo de nunca conseguir equilibrar o orçamento.

Existe um provérbio oriental que diz que a melhor época para plantar uma árvore foi há dez anos. A segunda melhor época é hoje. Organize-se e jogue a sua semente.

2 – Ozymandias: O fim justifica os meios

Ozymandias: O fim justifica os meios

Atenção para os spoilers: o grande vilão dos Watchmen não se importa em matar milhões de pessoas se isso significa impedir uma guerra que poderia potencialmente acabar com a humanidade. Mas porque ele faz parte dos grandes vilões dos investimentos?

Alguns investidores, da mesma forma, não olham para algo que está fazendo diferença nas empresas de hoje: a responsabilidade social.

Não é importante para eles ser sócio de uma empresa que reinveste na comunidade, que faz a diferença para os funcionários e cidades onde se encontram.

Também não limitam seus investimentos. Se a empresa der lucro, não importa se está envolvida em corrupção ou fabrica produtos questionáveis.

Imagine uma empresa que tem números sólidos na bolsa, mas deliberadamente explora seus fornecedores, não investe no controle de poluição, entre outras ações.

Muitas pessoas não veem problema em investir nelas – afinal, o que importa é o seu pé-de-meia. Outras, porém, assumem um compromisso pessoal de não investir em empresas de ética duvidosa ou que produzam algo prejudicial à saúde. Ambos os grupos estão corretos nas suas consciências.

Por enquanto, não há diferença significativa entre as empresas mais socialmente responsáveis e as demais.

A Standard & Poors, que publica o índice mais respeitável na hora de medir a performance das principais bolsas norte-americanas, o S&P 500, também publica um índice que lista as 500 empresas mais responsáveis ambiental e socialmente. Veja:

  • Valorização do S&P 500 geral de janeiro de 2016 a 20 de setembro de 2016: 7,54%
  • S&P 500 Environmental & Socially Responsible index, mesmo período: 7,36%

Porém, as empresas que mais investirem em compromissos sociais, que mais devolverem às suas comunidades tendem a se beneficiar a longo prazo.

Primeiro, na questão dos custos. Por exemplo: a vontade de reduzir o impacto no meio ambiente fez com que a Unilever desenvolvesse uma linha de condicionadores que gasta 15% a menos de água em sua fabricação, enquanto a empresa alimentícia General Mills luta para reduzir seu consumo de energia em 20%. Menos custo e menos impacto = mais lucro.

Isso, além da principal vantagem: tanto empregados como clientes sentem orgulho de estarem ligados a uma “empresa boa”, diminuindo a rotatividade de um lado e aumentando a fidelidade de outro.

Menos custos, mais vendas significa uma empresa mais valiosa a médio e longo prazo.  O que, aliás, está intimamente ligado aos conceitos do value investing, certo?

Então, pense em seus valores e em que empresas sólidas os representam melhor. Comprar ações é como ficar sócio de um empreendimento, assinar embaixo do que a empresa faz e de como ela faz o que faz.

3 – Raoul Silva: Aprenda com seus erros

 Raoul Silva: Aprenda com seus erros

Mais um dos grandes vilões dos investimentos e mais um spoiler: Em Skyfall, os fãs de 007 viram o vilão Raoul Silva fazer algo inédito: conseguir tudo o que queria.

Silva era um ex-agente secreto buscando se vingar dos – segundo ele – erros que o serviço secreto cometeu em relação a ele mesmo. E Silva aprendeu com esses erros e passou quase todo o filme um passo à frente de James Bond.

Da mesma forma, existe uma constante nos investimentos: você vai cometer um erro. Vai comprar uma ação que está muito bem falada no momento, e depois se lamentar: “ai que” infortúnio, “ai que” perda.

Mas você tem a opção de aprender com seu erro, desenvolver-se mais como investidor e, assim, evitar cometer o mesmo erro no futuro.

O que não pode é desistir. É uma reação natural extrapolar o que aconteceu e dizer “investir não é para mim”, mas ao fazer isso você corre o risco de abrir mão de seu controle financeiro e da possibilidade de realizar seus sonhos e construir uma renda passiva.

Erros acontecem, e, mais do que isso, são feitos para que a gente aprenda com eles, mas não para que demos um passo atrás em nossas vidas.

4 – Mr. Hyde: Não planejar

Mr. Hyde: Não planejar

No grande clássico da literatura O médico e o monstro, Dr. Jekyll não esperava que seu lado pervertido, Mr. Hyde, passasse a ser a parte dominante de sua personalidade.

Nem que ele pudesse perder o controle das transformações e não pudesse replicar a fórmula que o estabilizaria como o bom doutor.

Da mesma forma, muitas pessoas cometem esse erro que é parente do item número 1 da lista dos grandes vilões dos investimentos.

Se você quiser formar um patrimônio, terá que ter disciplina e comprar ações com regularidade.

Investir apenas duas ou três vezes no ano, porque teve outras prioridades, é adiar a construção de sua renda passiva. Discipline-se agora para ter o resultado desejado o mais rápido possível.

5 – Wile E. Coyote: Não rever a estratégia

Wile E. Coyote: Não rever a estratégia

Alguém já disse que um fanático é aquele que redobra seus esforços mesmo quando esquece seus objetivos. Nesse sentido, o Coiote é o maior dos fanáticos. Não importa quantas vezes caia, sempre tenta, mais uma vez, pegar o Papaléguas.

Agora, se ele pode pedir todos aqueles equipamentos maravilhosos da ACME, por que ele não pede uma pizza e resolve seus problemas?  Ou por que não começa uma criação de galinha?

Da mesma forma, muitas pessoas não reveem seus investimentos de tempo em tempo.

Sim, ações são investimentos de longo prazo e você não deve ficar olhando para elas a cada minuto, mas isso não significa que você não deve olhar para elas nunca mais depois que as compra.

Novas boas oportunidades irão surgir, empresas vão entrar na bolsa. Talvez aquela empresa que você gosta seja comprada por outra que você não confia tanto.

Se achar melhor, marque um fim de semana a cada trimestre ou a cada quatro meses em sua agenda. Dedique o tempo para estudar os papéis que você tem, verificar novas oportunidades, rever suas estratégias e calendário de aplicações.

Dedique-se a essa tarefa com o mesmo compromisso e responsabilidade que dedica a seu trabalho e a sua família. Afinal, construir seu pé-de-meia e um futuro melhor influencia os dois e blinda seu patrimônio contra os grandes vilões dos investimentos.

6 – Charada: Não construir um portfólio diversificado

Charada: Não construir um portfólio diversificado

Esse vilão do Batman é derrotado devido a sua maneira de agir: antes de cometer um crime, ele dá pistas do que vai fazer. Sempre. É a única maneira que ele sabe trabalhar. Vai roubar algo? Antes deixe uma charada que vai levar a polícia ou o Morcegão até você.

Ter apenas uma maneira de fazer as coisas é perigoso. Ter apenas a ação de uma empresa em seu portfólio é perigoso.

Especialistas divergem sobre qual deve ser o porcentual máximo de uma ação em sua carteira. Todos concordam que deve ser menor que 50%. Esse percentual não deve estar em sua mente enquanto você está formando seu portfólio, pois você estará comprando ações aos poucos.

Mas, depois de alguns anos, verifique se você não está se concentrando muito em uma só empresa. O ideal é ter entre cinco e dez ações diferentes em seu portfólio.

É um número ainda fácil de administrar, de acompanhar as novidades e situação de cada empresa, permite que você receba dividendos várias vezes durante o ano e diminui o impacto de um resultado negativo em uma das companhias.

Investindo todos os meses você consegue esse resultado em pouco tempo e não perde para os grandes vilões dos investimentos.

7 – Pinky e Cérebro: Complicar demais

Pinky e Cérebro: Complicar demais

Alguns dos planos dos ratinhos de laboratório do desenho animado para dominar o mundo incluem fazer um filme tão triste que tornaria as pessoas deprimidas demais para trabalhar.

Inverter o campo magnético da Terra fazendo com que o solo atraísse e prendesse qualquer pessoa com moedas no bolso e por aí vai. Lógico que todos esses planos eram fadados ao fracasso.

E esse é o segredo de algumas empresas de investimento pouco sérias e dos grandes vilões dos investimentos.

Elas encantam o possível investidor com um discurso repleto de jargões da área, que faz com que o investimento seja inacessível ao mero mortal.

Talvez mostrem um excesso de tabelas, números e pronto. Muitos acabam investindo no que essas empresas quiserem, talvez sem segurança e/ou pagando taxas exorbitantes.

Outros ainda complicam seus investimentos por conta própria. Garimpam notícias diárias, migram seus investimentos para cá e para lá, compram moeda estrangeira, fundos, Tesouro Direto.

E no fim, contam vantagem: lucraram 0,15% a mais do que lucrariam se não fizessem nada. É o equivalente às empresas que, querendo economizar, gastam horas em uma reunião discutindo formas de racionar copos de cafezinho.

Reconheça: seu tempo é importante. Em vez de gastá-lo buscando o melhor investimento quase semanalmente, muitas vezes gerando mais taxas e encargos, invista-o no que realmente pode gerar mais patrimônio: um projeto novo no mercado, um almoço de negócios, um encontro com um fornecedor/cliente importante, análise de concorrentes, etc.

Quando chegar a data marcada na sua agenda para rever investimentos, aí sim, preocupe-se com eles. No dia a dia, esqueça isso e concentre-se no que gera renda ativa e novas oportunidades de negócios. Isso nos leva ao próximo vilão, aliás.

8 – Coringa: só olhar o agora

Coringa: só olhar o agora

O palhaço psicopata só quer espalhar o caos agora. Ao contrário de seus colegas, nada de planos de dominação do mundo, de amealhar grandes fortunas, de controlar o submundo de Gotham City. Com ele, o que importa é apenas rir no momento. E que ele seja o único a rir.

Da mesma forma, muitos buscam investimentos de curto prazo, comprando e vendendo muitas vezes durante o mês.

Só que isso demanda muita energia, não permite que você acumule dividendos e gera taxas e custos financeiros  que podem devorar os lucros. Entende porque essa atitude é digna dos grandes vilões dos investimentos?

Evite isso. Copie a frase: “Sou um investidor, não um especulador” e coloque num lugar que você veja sempre: o espelho do banheiro, a geladeira, etc.

Como um investidor, você:

  • Só compra ações de empresas sólidas e, de preferência, boas pagadoras de dividendo.
  • Foca no valor do negócio no qual investe. Empresas cujos papéis valorizam vertiginosamente sem um motivo claro via de regra não merecem o meu dinheiro.
  • Compra ações e senta em cima. Revê o investimento a cada três ou quatro meses, fica de olho nas novidades, mas não pensa em vender antes de cinco a dez anos.

9 – Megamente: Tenha objetivos após alcançar seus objetivos

Megamente: Tenha objetivos após alcançar seus objetivos

Novamente, vou dar spoilers: esse vilão atinge todos os seus objetivos: derrota o super-herói, lança uma onda de crimes na cidade, rouba todos os bancos e museus e… fica completamente deprimido, sem saber o que fazer.

Da mesma forma, um dia você vai atingir seus objetivos como investidor. Mas e aí?

Bem, nada impede você de continuar investido. E ninguém deve tirar de você a coragem de criar novos objetivos. Afinal, você quer evitar o comportamento de grandes vilões dos investimentos.

Viajar pelo mundo? Se envolver com uma ONG, usando seus conhecimentos e recursos para fazer a diferença no mundo? Direcionar parte da renda passiva para start-ups? Usar o conhecimento de mercado que adquiriu para se tornar um investidor-anjo? Enfim, o que precisa é ter em mente o seu próximo passo!

Com qual dos grandes vilões dos investimentos você mais se identificou?

Com qual dos grandes vilões dos investimentos você mais se identificou?

Qual foi seu vilão favorito entre os que apresentei aqui?

Teve algum que se encaixou perfeitamente com a forma como você investe? Conte para mim nos comentários e vamos, juntos, derrotar esses personagens!

Bons investimentos!

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André Fogaça

André Fogaça é empreendedor digital, investidor e co-fundador do GuiaInvest. É formado em Administração de Empresas pela UFRGS e pós-graduado em Economia e Finanças pela mesma instituição. Possui credencial de administrador de carteiras e consultor de valores mobiliários pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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