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Dividendos: o que são e como funcionam

Imagine ter uma renda passiva caindo em sua conta algumas vezes por ano. Estamos falando de um dinheiro além do que você recebe dos “meios oficiais” e que completaria sua renda, ou daria a você o direito de curtir alguns luxos, viajar, curtir a vida. Maravilhoso, não? Pois isso não é impossível. É o que os dividendos fazem por você!

Agora digamos que você decida começar a construir sua carteira de ações de bons pagadores de dividendos. Para isso, o primeiro passo é buscar informações. Pode apostar: dependendo de com quem você falar, uma série de jargões fará parte do diálogo.

Mas a verdade é que o conceito de dividendos é muito simples…

O que são dividendos na prática

Vamos dizer que uma empresa precisa de recursos para crescer ou realizar determinado projeto.

Seus líderes, então, decidem sair no mercado à procura de sócios, e vendem a cada um dos interessados um “pedaço” da companhia.

Essa é a forma mais básica de explicar o que é uma ação de uma empresa.

Ok, até aí tudo certo. O problema é que muitos investidores compram ações e param por aí. Mas deveriam continuar a jornada. Entenda por quê.

Como sócio da empresa, você ganha quando ela tem lucro. A parte do lucro equivalente à porcentagem da empresa que você possui chega até você na forma de dividendos.

Simples assim.

Sim, existem outras formas desse lucro chegar até você, e veremos a seguir. O importante é a definição de que dividendos são a parte do lucro da empresa que cabe a você, investidor.

Como já explicamos aqui, dividendos são uma das melhores formas de se gerar renda passiva. Você investe parte do dinheiro vindo de seu esforço, e continua a ganhar com o esforço de outras pessoas: todas as que trabalham na empresa da qual você comprou as ações.

Agora, se todas as empresas pagam dividendos, por que algumas são consideradas melhores do que as outras nesse quesito? Vamos descobrir.

Antes, porém, precisamos definir alguns termos importantes:

Juros sobre Capital Próprio

Esta é uma forma de a empresa remunerar seus acionistas, assim como os dividendos. A diferença é que os juros entram na contabilidade da empresa como despesa, cabendo ao acionista (você) declarar e pagar o imposto de renda sobre ele. O quanto da parte do lucro é paga ao acionista como juros, o quanto é dividendo deve ser discutido em assembleia ou através do conselho diretivo da empresa.

Dividend payout

É a porcentagem do lucro líquido paga aos acionistas. O dividend payout varia de empresa para empresa, conforme dita cada Estatuto Social e/ou Prospecto. Existem empresas que reservam metade de seu lucro para repartir entre seus acionistas, outras chegam a porcentagens tão baixas quanto 1%.

Sim, 1%.

Sim, pode.

Vamos nos livrar de uma lenda. As empresas que têm capital dividido em ações (Sociedades Anônimas ou simplesmente S/A) são obrigadas por lei a distribuir dividendo para seus acionistas.

Quanto? Quanto for acordado no seu estatuto social!

Não, não existe o indicador mínimo de 25%. Se, no estatuto, todos concordarem que a empresa vai separar 20%, 10%, 5% de seu lucro, ela pode. Pode até dizer que, devido a uma situação especial, não pagará dividendos.

Foi o que a Oi fez ao afirmar que, devido à recuperação Judicial iniciada em 2016, só voltará a pagar dividendos em 2026. Enfim, se a assembleia concordar, vale!

Então, de onde saiu essa história de mínimo de 25%?

Trata-se de uma imposição da Lei das S/A, de 1976. A lei deu às empresas dois caminhos: convocar uma assembleia de acionistas para rever e alterar o Estatuto Social, ou o payout de dividendos seria o padrão – 50%. Nessa assembleia, poderia se negociar qualquer valor.

— Qualquer valor mesmo?

— Sim, qualquer valor. Porém, se vocês colocarem menos do que metade do valor padrão, devem dar aos acionistas descontentes a possibilidade de vender as ações de volta a vocês.

— Ah, então, para evitar gastar mais dinheiro, o mínimo é 25%.

E aí está. Uma particularidade feita para o período de ajuste da nova lei se transformou no mito de que toda empresa no Brasil deve pagar no mínimo 25% de seu lucro em dividendos.

Na verdade, cada empresa paga quanto quiser, desde que todos estejam de acordo, e esteja tudo registrado no Estatuto Social. Se nada estiver escrito, assume-se o padrão legal de 50%.

Dividend yield

Este é um dos números mais importantes ao buscar empresas boas pagadoras de dividendos. Também chamado de retorno de dividendos, parte de uma conta simples de ser feita:

  • Primeiro, pega-se tudo o que uma empresa pagou de dividendos e juros sobre capital próprio em determinado período (geralmente, um ano). Digamos que essa soma dá R$ 0,50 por ação.
  • Em seguida, pega-se o valor de uma ação. Em nosso exemplo, R$ 5. Aplicando a conhecida regra de três, teremos que o dividend yield dessa empresa é de 10%. Em outras palavras, se nada mudar, em 10 anos você terá recebido, só em dividendos, tudo o que investiu comprando ações da empresa.

Para todos os efeitos, é uma renda passiva que você recebe “de graça”.

Mais, se você tiver dez ações dessa empresa hipotética, poderá reinvestir o dividendo e comprar mais uma ação. Na próxima vez, você receberá os dividendos sobre onze ações, uma das quais acabou comprando de graça. E assim sua renda passiva vai crescendo organicamente.

E, sim, um dividend yield de 10% é muito possível.

Segundo levantamento da Bloomberg, em 2018, a Copel, Companhia Paranaense de Energia Elétrica, deve pagar um dividend yield de 10,3%. A Taesa, que também atua no setor de energia elétrica, deve pagar 9,9%: quase chegou lá. E pode ficar muito melhor. Segundo a consultoria Economatica, as empresas com maior dividend yield em 2017 foram:

Bonificação por ações

Vez por outra uma empresa pode escolher pegar parte do lucro para aumentar seu próprio capital. Assim, a empresa passa a valer mais.

Isso causa um descompasso. Imagine que a empresa tinha um capital de 2.000 e ofereceu ao mercado 10% disso, em 100 ações de 2 cada uma. Após incorporar o lucro, passou a valer 2.400. Para manter a equivalência de 10%, ela emite mais 20 ações, que serão distribuídas proporcionalmente entre seus acionistas. Assim, se você comprou 50 ações originais, receberá mais 10 de bônus.

É uma forma de remuneração que aumenta seus ganhos por dividendo sem que você tenha que fazer nada.

Ex-dividendo

Essa expressão também é vital para quem pretende fazer com que parte de sua renda venha de dividendos.

Primeiro, cada empresa define quantas vezes irá remunerar seus acionistas por ano. Algumas fazem um pagamento anual, outras pagam duas ou quatro vezes por ano. Essas datas são facilmente acessadas no site da bolsa.

Você já sabe que uma ação é um pedaço de uma empresa. Que tal se associar a uma empresa na segunda e começar a receber na terça? Não dá, certo? Ex-dividendo significa a quantidade de tempo que você precisa estar com aquela ação para ter direito ao dividendo.

Mais um lembrete de que investir de olho nos dividendos é algo de longo prazo. Existem pessoas que mantêm ações por uma ou duas horas. Você precisa pensar em termos de anos e anos.

O Índice de Dividendos

Sabendo de tudo isso, se a sua estratégia é investir em ações pagadoras de dividendos, basta você escolher uma empresa que tenha um bom histórico, que tenha um dividend payout e yield alto, e investir nela.

Ah, e para sua sorte, a Bolsa de Valores já fez esse trabalho. Ela criou um índice, uma carteira virtual, composta apenas das ações que melhor remuneram seus investidores.

O Índice de Dividendos (IDIV) pode ser acessado na seção de índices de segmento da B3 (BM&FBovespa). Uma vez lá, você pode ver as empresas que fazem parte do índice, pesquisar cada uma, ver qual melhor se adequa ao seu perfil e investir. Ou, se preferir, pode investir no próprio índice, na carteira da B3.

Você notará que, no índice, alguns tipos de empresas se destacam. Empresas de energia elétrica, saneamento, pedágio, bancos e seguradoras são a maioria. A explicação é simples. Para se pagar um bom dividendo, uma empresa precisa de um fluxo de caixa estável e baixa necessidade de investimento.

Tirando os bancos, todas as outras empresas citadas ou recebem pagamento de seus clientes todo mês, ou recebem toda vez que um carro usa a estrada. E não é sempre que uma empresa de energia elétrica precisa construir uma nova usina. Sua necessidade de investimento é mais na manutenção e melhorias pontuais na qualidade de seus serviços.

Além disso, tirando os bancos e seguradoras, cujo mercado é uma briga de gigantes, as outras não precisam se preocupar com muitos concorrentes.

Existem outras empresas na carteira, lógico. Enquanto escrevíamos este artigo, por exemplo, Grendene e Hering estavam lá.

Mais: como todo índice, o IDIV é atualizado em determinados intervalos, com empresas entrando e saindo. Fique de olho para novas oportunidades.

Ou seja, se você não gostar de determinado segmento de mercado ou empresa, encontrará opções.

Tudo isso para chegar à parte que mais lhe interessa: é possível viver de dividendos?

Sim. E não.

Segundo a consultoria financeira Economatica, em 2015, o retorno médio em dividendos foi de 2,11% no Brasil.

Em princípio, isso desmotiva qualquer um.

Um investimento que paga pouco mais de 2% ao ano não parece promissor para qualquer conta de aposentadoria.

Até que você se concentra na palavra mágica: “média”.

E uma das grandes verdades estatísticas é: se uma pessoa come dois sanduíches, e outra não come nenhum, na média cada uma comeu um. Você precisa investir na pessoa com os dois sanduíches.

Ou seja, ainda que a média do mercado possua uma média de dividend yield de cerca de 2%, como apontou o estudo citado, existem empresas que podem pagar dividendos 2x, 3x, 5x e em alguns casos pontuais até 10x isso.

Fazendo download do ranking de dividendos do GuiaInvest PRO você pode descobrir quais são as 10 empresas que mais distribuíram dividendos nos últimos 12 meses. E tem coisa bem interessante por lá.

Mas apenas isso não é o suficiente. Você precisa desenvolver a melhor estratégia com essas boas ações.

Por exemplo: você pode montar uma carteira com duas ações. O dividend yield delas é muito bom, mas cada uma paga apenas uma vez por ano. E você estava esperando uma remuneração mensal.

Esse, claro, é apenas um exemplo de todos os outros dados que você precisa ter em mãos para tomar a melhor decisão. Para lhe ajudar, preparamos a aula Aprenda Como Ganhar de R$ 1 mil até R$ 5 mil por Mês em Dividendos. Ela é gratuita e mostrará todas os caminhos e segredos para você fazer o seu dinheiro render o máximo com dividendos.

O que levar em consideração na hora de construir uma carteira pensando em lucrar com dividendos

Viver de dividendos, mesmo com alguns sobressaltos na economia, é possível, e uma ótima forma de complementar sua renda passiva. Você deve apenas tomar certos cuidados antes de começar a construir sua carteira:

  1. Cheque muito bem a empresas na qual quer investir. Veja os planos dela para o futuro, a consistência de seu faturamento e lucro, sua responsabilidade social, ética e o que for mais importante para você. Lembre-se: você será “sócio” daquela empresa por muitos anos. Fazer essa coleta de dados é simples. Primeiro, vá até o site da empresa, procure a área de “investidores”, e leia tudo o que estiver ali. Depois, acesse o GuiaInvest e deixe nosso sistema trabalhar por você..
  2. Seja consistente. Para viver de dividendos, é necessário ter um volume de investimentos. Planeje-se para investir todos os meses, mesmo que não seja muita coisa. Construa sua carteira tijolinho por tijolinho e, em pouco tempo, você se surpreenderá com o quanto já está ganhando em dividendos. Tenha em mente que, ao contrário da maioria dos investidores, você está pensando a longo prazo.
  3. Tenha sempre a melhor informação. Nós, do GuiaInvest, estamos aí para isso. Veja a nossa aula sobre dividendos, leia nosso blog, participe de nossas discussões. É importante que você se mantenha sempre informado sobre o mercado, para tomar as melhores decisões para o seu bolso.

Agora, é com você!

Assista à aula e comece a se beneficiar de tudo o que os dividendos podem lhe proporcionar!

Equipe GuiaInvest

Nossa missão é ajudar as pessoas a poupar, administrar e investir seu dinheiro de maneira inteligente para que conquistem a liberdade financeira.

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