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A Importância do Autoconhecimento para Minimizar Riscos

Autoconhecimento e outros aspectos comportamentais influenciam diretamente no seu sucesso como investidor. Entenda porquê e como minimizar os riscos ao investir em ações.

Autoconhecimento e outros aspectos comportamentais influenciam diretamente no seu sucesso como investidor. Entenda porquê e como minimizar os riscos ao investir em ações.

Muito se fala sobre o risco atrelado ao mercado de ações mas, geralmente, a discussão gira em torno dos perigos do sobe e desce, e não dos aspectos comportamentais que envolvem o ato de comprar e vender ações, o que considero tão importante quanto.

Em um brilhante comentário que complementa o capítulo “A margem de segurança como conceito central dos investimentos”, do livro O investidor inteligente, Jason Zweig aprofunda os ensinamentos de Benjamin Graham apresentando uma reflexão que todo investidor precisa fazer a respeito de risco, autoconhecimento, comportamento, probabilidade e consequência.

Ele diz que “o risco financeiro não reside nos tipos de investimentos que você possui, mas no tipo de investidor que você é”.

Para isso, cita Daniel Kahneman, psicólogo especialista em finanças e vencedor de prêmio Nobel de economia. De acordo com o financista comportamental, há dois fatores que caracterizam boas decisões:

1 – Confiança bem calibrada, que pode ser orientada pelo seguinte questionamento: “Entendo esse investimento tão bem quanto penso entender?”

2 – Arrependimento corretamente antecipado, que tem a seguinte pergunta como base: “Como reagirei se minha análise estiver errada?”

Esse é o ponto de partida para compreender o risco comportamental de se investir em ações.

Como está o seu autoconhecimento?

como está o seu autoconhecimentoPara ir mais além, vale a pena responder as perguntas a seguir. Elas vão ajudá-lo a entender se sua confiança está bem calibrada e como anda o seu autoconhecimento.

Insisto para que reflita profundamente sobre cada questão e responda cada uma delas com muita atenção e seriedade.

De preferência, registre as respostas em um papel ou no computador, para poder reler sua própria opinião daqui um tempo, repensar suas respostas e continuar evoluindo em seus investimentos.

Responda sinceramente:

  1. Quanta experiência eu tenho? Qual é o meu histórico com relação a decisões semelhantes no passado?
  2. Quais foram os resultados típicos das outras pessoas que tentaram a mesma operação no passado?
  3. Se estou comprando, alguém está vendendo. Qual é a probabilidade de eu saber algo que essa outra pessoa (ou companhia) não sabe?
  4. Se estou vendendo, alguém está comprando. Qual é a probabilidade de eu saber algo que essa outra pessoa (ou companhia) não sabe?
  5. Calculei quanto esse investimento precisa subir para que eu saia empatado após os impostos e custos de corretagem?

Reflexões para calibrar sua confiança

calibrar confiança ao investirTão importante quanto calibrar sua confiança é saber se você é do tipo de pessoa que antecipa corretamente o arrependimento. Para isso, as seguintes reflexões são fundamentais, de acordo com Zweig:

  • Se eu estiver certo, posso ganhar muito dinheiro. E se eu estiver errado? Com base no desempenho histórico de investimentos semelhantes, quanto poderia perder?
  • Tenho outros investimentos que me socorrerão se essa decisão estiver errada? Já possuo ações, obrigações ou fundos com um histórico comprovado de alta quando o tipo de investimento que estou considerando estiver em queda? Será que estou colocando uma parcela grande demais do meu capital em risco com esse novo investimento?
  • Quando digo a mim mesmo “você tem uma alta tolerância ao risco”, como sei que isso é verdade? Alguma vez já perdi muito dinheiro com um investimento? Como me senti? Comprei mais ou saltei fora?
  • Estou confiando apenas na minha força de vontade para evitar entrar em pânico na hora errada?

Além de fazer a lição de casa no que diz respeito a estudar o mercado e as empresas em que pretende investir, uma boa dose de autoconhecimento é essencial se você deseja levar a sério sua carreira como investidor. E as perguntas acima são muito úteis para ajudá-lo com isso.

Antes de investir, você deve se certificar de que avaliou, de forma realista, suas probabilidades de estar certo e como você reagirá às consequências de estar errado.

Zweig

Uma verdade incontestável sobre probabilidades e consequências

probabilidades e consequenciasO economista Peter Bernstein (1919-2009) apresenta um desafio interessante em seu livro Desafio aos deuses – a fascinante história do risco. Ele resgata a clássica “Aposta de Pascal” para traçar um paralelo sobre investimentos.

A aposta consiste numa experiência mental em que um agnóstico deve apostar se Deus existe ou não. A premiação da aposta é o destino de sua alma após a vida. Qual o tamanho desse risco?

Pascal diz que “a razão não tem como decidir” a probabilidade da existência de Deus – apenas a fé pode responder a questão. Neste caso, o fator probabilidade está 100% descartado ao se olhar a aposta por um viés racional e deixando a fé de lado.

Bernstein explica as consequências da aposta:

Suponhamos que você aja como se Deus existisse e leve uma vida virtuosa e abstêmia, quando na verdade Deus não existe. Você terá deixado de desfrutar alguns prazeres da vida, mas também haverá recompensas.

Agora, suponha que você aja como se Deus não existisse e leve uma vida pecaminosa, egoísta e de luxúria, quando na verdade, Deus existe. Você pode ter se divertido durante o tempo relativamente breve de sua vida, mas quando o dia do julgamento chegar você vai estar em apuros”.

O que fica para você como investidor a partir disso, nas palavras de Bernstein, é que ao tomarmos decisões em condições de incerteza, as consequências devem dominar as probabilidades, pois nunca sabemos como será o futuro.

Ou seja, como um investidor inteligente, você não deve focar apenas em fazer uma análise correta, mas em se proteger contra perdas caso sua análise esteja errada. Até porque, acredite, cedo ou tarde isso vai acontecer.

É verdade que você pode não ter controle sobre sobre a probabilidade de estar certo ou errado (é claro que ao seguir os conceitos e práticas do value investing você consegue minimizar as chances de erro), mas as consequências de um eventual equívoco estão totalmente sob seu controle.

É nessas horas (e em todas as outras) que a margem de segurança se faz tão importante. Ao ignorar a margem e outros conceitos ligados ao investimento focado no longo prazo e pensado para preservar seu capital, você ignora o mais importante: proteger-se das consequências de um eventual erro.

Ao simplesmente manter sua carteira permanentemente diversificada e se recusar a despejar dinheiro nas últimas e mais loucas modas do Sr. Mercado, você pode garantir que as consequências de seus erros nunca sejam catastróficas. Não importa o que o Sr. Mercado apronte, você sempre será capaz de dizer com muita confiança que ‘isso também passará, finaliza Zweig.

Minha intenção com este artigo foi contribuir para o seu autoconhecimento. Como falei no início, tão importante quanto dominar aspectos técnicos do investimento em ações, você precisa, sobretudo, conhecer a si mesmo e investir, sempre, pensando em preservar seu capital.

Ao fazer isso, não apenas garantirá noites de sono tranquilo, mas dará um passo importante para acumular riqueza.

Por fim, quero saber quais foram as respostas que deu para as perguntas propostas. Deixe um comentário abaixo com suas respostas.

Estou muito curioso para conhecer a sua visão.

Bons investimentos.

Crédito das imagens: www.shutterstock.com

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André Fogaça

André Fogaça é empreendedor digital, investidor e co-fundador do GuiaInvest. É formado em Administração de Empresas pela UFRGS e pós-graduado em Economia e Finanças pela mesma instituição. Possui credencial de administrador de carteiras e consultor de valores mobiliários pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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6 comentários

  • Há discordâncias quanto a ser somente a fé que pode nos levar a Deus. São Tomás de Aquino comenta em as Cinco Vias da Existência de Deus.

    • O deus é criado pelos HOMENS DEUS….. não existe o deus, pois é o mecanismo de mão de obra (escravos alyenados), (zumbis)….a serviço do Sistema……

  • Parabéns pelo o artigo! Me identifiquei bastante com o assunto. Ainda não tenho todas as resposta para o questionamento. Mas irei buscar las. Foi excelente o uso da “Aposta de Pascal” para exemplificar!! Segundo o Autor da carta aos Hebreus, 11.6, “Sem fé é impossível agradar a Deus”. Você pode querer viver uma vida inteira sem Deus. Mas será muito triste morrer sem Ele. Um forte abraço.

  • Boa tarde Rafael,

    Sou acadêmico do curso de Administração na UFMG campos Montes Claros – MG e no mês 11/2015 comecei a acompanhar o seu Blog pois decide começar a investir em títulos públicos para acumular uma grana até a minha formatura que ocorrerá em julho de 2018. Bom, estou aqui para lhe agradecer pelo seu esforço em ajudar aqueles que nada sabem sobre essa modalidade de investimentos e também lhe perguntar se seria possível você realizar uma palestra na minha Universidade porque assim como você gosto muito de compartilhar com os outros as coisas boas que aprendo. Se for possível a realização da palestra me responda o que será preciso da parte da universidade que eu entrarei em contato com nosso coordenador de curso para verificar com ele a possibilidade de realização deste evento. Aguardo ansiosamente o seu retorno para dar continuidade aos procedimentos necessários para a realização do evento.

    Desde já agradeço pela sua compreensão e colaboração!..

    • Reivison se ele concorda em fazer a palestra no campus da UFMG em Montes Claros, divulgue, eu também quero participar pois sou do norte de Minas. Desde já agradeço.