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As 5 Regras de Ouro da Riqueza

As 5 Regras de Ouro da Riqueza

No livro “O homem mais rico da Babilônia”, George Samuel Clason cita 5 regras de ouro da riqueza. Descubra quais são elas e comece a construir a sua à partir de hoje.


Em 1898 aconteceu um dos conflitos mais estúpidos do nosso continente, a Guerra Hispano-Americana.

Basicamente, para alavancar suas vendas, o The New York Journal começou a publicar histórias e mais histórias sobre atrocidades espanholas em Cuba e outras ilhas da região, e o perigo de ter tal império tão perto dos Estados Unidos.

Com isso, incentivavam as forças armadas do Tio Sam a tomar uma atitude.

Para não ficar atrás, os concorrentes do jornal também entraram na toada e pediam a guerra.

Em pouco tempo, a oposição, na época formada pelo partido Democrata, usou as “notícias” desses jornais para chamar o governo Republicano de frouxo.

O governo, então, para dar a impressão de estar fazendo algo, mandou um navio de guerra para patrulhar as águas perto de Cuba.

Guerra hispano-americana
A destruição do navio Maine, no porto de Havana, durante a guerra hispano-americana.

O navio então explodiu e afundou, matando 260 de seus 350 ocupantes. A imprensa e a oposição não deixaram barato e os Estados Unidos declararam guerra à Espanha.

Foi uma guerra rápida, menos de 400 norte-americanos morreram em combate, mas dois mil contraíram febre amarela e ajudaram a doença a se espalhar pelos quartéis yankees, onde a moléstia matou mais 1.500 jovens.

Mais tarde, descobriu-se que a caldeira do navio explodiu porque não fora ajustada ao calor das águas do Caribe. E que, portanto, a guerra começou sem motivo nenhum. Nós, humanos, quando queremos sabemos ser de uma irracionalidade ímpar.

Enfim, um dos soldados que escapou das poucas balas espanholas e da grande ameaça da febre amarela foi George Samuel Clason, que resolveu dar baixa no exército e ganhar a vida escrevendo e tocando uma pequena gráfica e editora.

Focou primeiro em mapas rodoviários, veio a Grande Depressão, ele faliu e reergueu o negocinho, agora fazendo livros e panfletos mais comuns.

A Grande Depressão
Homens esperam na fila por comida na East 25th Street, em Nova Iorque, 1930.

Em 1926 ele apresentou um projeto para vários bancos e financeiras: uma série de panfletos de leitura rápida, que iriam ensinar educação financeira a seus clientes.

Os bancos colocariam sua marca na capa, rodariam na gráfica de Clason e distribuiriam gratuitamente para os clientes, e todos ganhariam. Muitos aceitaram, e os panfletos com as fábulas inventadas por Clason fizeram sucesso.

Ele logo reuniu todas em um livro, chamou-o de “Ouro Adiante”, mas nas outras edições alterou para “O Homem mais Rico da Babilônia”.

O homem mais rico da Babilônia e as 5 regras de ouro da riqueza

O homem mais rico da Babilônia e as 5 regras de ouro da riqueza

Passaram-se 90 anos, e o que George escreveu na época continua valendo até hoje. À primeira vista, o que ele revela em seu pequeno livro são regras básicas – e são mesmo.

Mas, da mesma forma, o alfabeto é algo muito básico e com ele se escreve todas as obras de Shakespeare, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Ernest Hemingway e, como estamos falando de dinheiro, JK Rowling, a consagrada autora da saga de Harry Potter.

Veja a seguir as 5 regras de ouro da riqueza descritas por George Samuel Clason que podem fazer a diferença na construção de seu patrimônio:

1 – O ouro vem de bom grado e numa quantidade crescente para toda pessoa que separa não menos que um décimo de seus ganhos, a fim de criar um fundo para si próprio e para sua família

O ouro vem de bom grado

Já falei sobre isso no artigo sobre liberdade financeira, em que sugeri que você viva com 70% do que ganha todo mês. Por isso, considero esta uma das primeiras regras de ouro da riqueza.

Clason estabelece um percentual mais fácil de ser alcançado: viva com 90%, poupe 10%.

É uma maneira mais fácil de começar a administrar suas finanças: programe-se para poupar 10% e, aos poucos, vá aumentando até chegar em 30% ou mais.

Programar assim sua vida requer muita disciplina. Qualquer pessoa começa caminhando dois quilômetros, passa para cinco, começa a trotar levemente até chegar a maratonas.

Da mesma forma, siga a regra do ouro e comece a poupar no mínimo 10%.

O grande segredo no começo não é a porcentagem que você poupa, mas conseguir administrar seus recursos, começar e fazer isso todo mês.

Aos poucos, começando pela primeira das regras de ouro da riqueza, seu patrimônio irá aparecer.

2 – O ouro trabalha diligentemente para o homem prudente que, possuindo-o, encontra para ele um emprego lucrativo, multiplicando-o como flocos de algodão no campo

O ouro trabalha diligentemente para o homem prudente

Aqui vai uma das regras de ouro da riqueza mais básicas de administração de recursos: o banco é que tem que pagar juros para você, e não o contrário.

Infelizmente, é algo que poucos respeitam. E Clason está longe de ser o único que enaltece essa regra de ouro. Albert Einstein disse certa vez:

os juros compostos são a força mais poderosa do universo e a maior invenção da humanidade, porque permitem uma confiável e sistemática acumulação de riqueza”.

A conta do juro composto é simples: invista 100. No final do mês, você tem 101. No próximo mês, você receberá juros sobre 101, e terá 102,01. E assim sucessivamente.

Tenho recomendado aqui algo que pode ser melhor para a sua formação de patrimônio, uma renda passiva baseada em ações boas pagadoras de dividendos.

Com um investimento regular em bancos e similares, você ganha apenas uma vez. Ao investir em dividendos, você ganha duas vezes: com a valorização da empresa, e com os dividendos. Eis mais uma das grandes regras de ouro da riqueza.

Com o tempo, você poderá aumentar seu investimento sem gastar nada, apenas usando os dividendos para comprar mais açõesVeja mais assistindo a minha videoaula gratuita sobre o assunto.

Essa regra também é decorrente da primeira. Uma vez que você se disciplinou para guardar uma parte de seus ganhos todo mês, não deixe esse recurso parado.

Alguns bancos facilitam essa ação, e aplicam automaticamente qualquer valor acima de tantos reais em sua conta corrente. Esses investimentos estão longe de serem campeões de rentabilidade, mas é bom saber que o recurso existe.

Para saber onde investir, aprenda a calcular três fatores: rentabilidade, risco e liquidez.

Rentabilidade

É quanto aquele investimento vai render após determinado período de tempo.

Já mencionei que, via de regra, você pode optar por investimentos que digam que você vai ganhar tanto por cento ao ano, aqueles que dizem que você vai ganhar a taxa de inflação mais x por cento, ou aqueles nos quais você não tem certeza de quanto vai ganhar.

E, sim, existem aqueles que podem deixar você no negativo: você perde tudo, e ainda fica devendo.

Liquidez

Existem modalidades de investimento que, por mais que você esperneie, não vai conseguir transformar em dinheiro vivo na hora. Imóveis são um bom exemplo.

Mesmo pedindo um preço muito baixo, conforme o mercado demorará semanas para conseguir vender – adicione mais um dia ou dois para cumprir as burocracias de cartório e companhia.

Já uma poupança tem liquidez imediata, mas perde em rentabilidade para quase todos os outros investimentos.

Risco

Quem investe em renda variável sabe bem o que é isso. Ações, moeda estrangeira, arte, etc.

Nesses investimentos sempre existe a possibilidade de você sair com menos que entrou, ou não lucrar tanto quanto opções mais tradicionais; pegue uma joia, por exemplo.

Assim que você puser um pé fora da joalheria, ela se desvaloriza, perde todo o valor agregado do trabalho do ourives, e passa a valer apenas seu peso em metal e pedras (em alguns casos raros a marca da joia ainda retém algum valor de grife, mas não muito).

Mas o contrário também pode acontecer. E, principalmente no caso das ações, quanto mais tempo você ficar com o papel de uma empresa sólida, maiores as possibilidades de você lucrar – e aqui não estou nem levando em conta os dividendos.

Existem outros investimentos em que você corre o risco de perder tudo. Existem aqueles que você corre o risco de ficar devendo. E existem os bastante seguros.

Veja o destino que você quer dar àquele dinheiro, pese os três fatores: dinheiro para aposentadoria não precisa de liquidez no momento, dinheiro para pagar contas deve oferecer pouco risco, etc.

E sempre coloque os seus recursos para trabalhar para você, fazendo jus às regras de ouro da riqueza.

3 – O ouro busca a proteção do proprietário cauteloso que o investe de acordo com o conselho de homens sábios em seu manuseio

O ouro busca a proteção do proprietário cauteloso

Richard Branson é um bilionário, empreendedor em série norte-americano que construiu sozinho um império enorme.

Chegou a ter mais de trezentas empresas com o nome Virgin, desafiou todas as grandes empresas, de British Airways a Coca-cola, com diversos níveis de sucesso.

Possui de financeiras a uma empresa de viagens espaciais. E, como muitos empresários, certa vez foi convidado para tocar um reality show de empreendedores, e lá foi ele para a televisão.

No último episódio, Branson propõe um último desafio ao vencedor. Ele poderia sair com o cheque do prêmio, ou poderia arriscar um cara-ou-coroa.

Se ganhasse na moeda, levaria o triplo e mais um bom estágio em uma das empresas de Branson. Se perdesse, perderia tudo. Qual das escolhas você considera que faria parte das regras de ouro da riqueza?

Richard Branson depois escreveu que:

“Podia quase ver a mente do ganhador trabalhando. Ele queria ser ‘o’ cara, aquele que ousa, que vai em frente sem pestanejar. Ser aquele que arrisca tudo. Após alguns segundos, ele disse que precisava muito do prêmio para alavancar sua empresa e ajudar algumas pessoas na comunidade, e não poderia arriscar. Finalmente, pediu o cheque. Suspirei aliviado e disse que, se ele tivesse escolhido a moeda, eu perderia muito do meu respeito por ele. Eu sempre assumi riscos, sim, mas riscos calculados, e nunca jogaria meu futuro em uma moeda. Ele levou o cheque, mais o estágio.”

É isso. Se um sujeito que tem uma empresa de viagens espaciais é contra o risco pelo risco, porque você haveria de ser a favor?

Quem é, no dia de hoje, o “homem sábio” da terceira regra de ouro? Não são seus amigos, pois via de regra nos relacionamos com pessoas de nossa própria classe social.

Algumas vezes não é seu gerente do banco, pois ele precisa vender uma determinada cota de produtos por mês, então vai oferecer plano de capitalização, seguro disso e daquilo. Não com o interesse do cliente em mente, mas apenas porque ele tem que vendê-los.

Clason é um dos homens sábios. Warren Buffett é outro. No fórum do GuiaInvest você encontra alguns. Existem sites sérios da internet com outros.

Reconheço que não é fácil. Pesquisar por “investimentos” no Google traz uma mistura de sites sérios independentes, oficiais de bancos, notícias, e anúncios que prometem ganhos fabulosos com “0% de risco”.

Mas seja diligente, ouça as pessoas bem-sucedidas, informe-se, investigue e, em pouco tempo, saberá separar as boas fontes de informação das outras. A informação está aí. Use-a para se tornar um sábio.

4 – O ouro foge do homem que o emprega em negócios ou propósitos com os quais não está familiarizado ou que não contam com a aprovação daqueles que sabem poupá-lo

O ouro foge do homem que o emprega em negócios ou propósitos com os quais não está familiarizado

O blog do Juca Kfouri é um dos maiores do Brasil. Qualquer artigo que ele posta tem dezenas, centenas de respostas.

Sua opinião é levada em conta até por quem não gosta dele. Seria uma boa ideia, então, convidá-lo para falar de finanças aqui no GuiaInvest, certo? Certo?

Quem respondeu negativamente, acertou. Juca é extremamente competente no futebol e em outros esportes. Dificilmente teria algo a oferecer ao leitor que acessa essa página querendo montar o seu patrimônio.

O pé-de-meia que Juca conhece é suado e veste uma chuteira. O nosso pé-de-meia, queremos rechear de dinheiro.

Da mesma forma, procure investir no que você conhece. Essa é uma das regras de ouro da riqueza que até Warren Buffett segue: se ele não entender o que a empresa faz, ele não compra suas ações.

Não significa que você tenha que fazer um curso de engenharia aeroespacial para comprar ações da Embraer, apenas saber para que serve um avião, a situação do transporte aéreo no mundo, a posição da empresa perante os concorrentes.

Nesse caso específico, você pode saber até mais. A Ambev não consegue dizer quanta cerveja vai vender em 2017, mas você pode saber quantos aviões estão encomendados e serão entregues em 2018.

A pulga atrás da orelha pode ser a melhor conselheira e evitar que você entre em investimentos duvidosos.

5 – O ouro escapa ao homem que o força a ganhos impossíveis ou que dá ouvidos aos conselhos enganosos de trapaceiros ou fraudadores ou que confia na própria inexperiência e desejos românticos na hora de investi-lo

O ouro escapa ao homem que o força a ganhos impossíveis

A pessoa se esforçou,foi disciplinada e conseguiu poupar uma porcentagem do seu salário por mês.

Vai, toda orgulhosa, ver as opções de investimento e, invariavelmente, tem uma reação ao ver os rendimentos: só isso?

Sim, parece uma injustiça depois de todo o trabalho, de tudo o que ela teve que deixar de lado.  E, se quiser um rendimento maior, vai ter que investir mais. Muito mais.

E fica tentada a procurar investimentos melhores. Como aquele site que um conhecido mencionou, que promete um milhão de reais, viagens e Lamborghini na garagem para quem entrar no “projeto” por apenas…

Calma. Reconheça que não existem atalhos na economia. Continue a poupar e, em pouco tempo, você terá um patrimônio que permitirá uma renda passiva constante.

A emoção é ótima e dá o tempero a vida. Ria à vontade com sua família, leve susto no cinema, fique bravo na pelada de domingo.

Mas na hora de investir, seja racional e siga as regras de ouro da riqueza. Apoie-se em informações sólidas e tenha paciência. Seu patrimônio irá aumentar no tempo certo.

Bons investimentos!

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André Fogaça

André Fogaça é empreendedor digital, investidor e co-fundador do GuiaInvest. É formado em Administração de Empresas pela UFRGS e pós-graduado em Economia e Finanças pela mesma instituição. Possui credencial de administrador de carteiras e consultor de valores mobiliários pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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