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5 Dicas Infalíveis para Não Ser Vítima do Efeito Manada

O efeito manada pode estar afetando os resultados dos seus investimentos. Você já pensou nisso e no quanto é fácil sermos levados pelo senso comum? Veja porque isto acontece e como proteger seu dinheiro deste tipo de cilada.

O efeito manada pode estar afetando os resultados dos seus investimentos. Você já pensou nisso e no quanto é fácil sermos levados pelo senso comum? Veja porque isto acontece e como proteger seu dinheiro deste tipo de cilada.

Todo mundo de Kichute. Todo mundo bebendo aqueles líquidos coloridos que vinham nas embalagens plásticas de terceira, mas eram em forma de carrinho, frutas, revólver e a criançada adorava.

Todo mundo colecionando figurinhas da Copa do Mundo e do Campeonato Brasileiro. Todo mundo usando roupas de cores vivas. Todo mundo de topete. Assistindo Pantanal na Manchete. Jogando Atari em casa e Street Fighter no fliperama.

Os antigos fãs de Cavaleiros do Zodíaco transformados, via filhos, em fãs da Galinha Pintadinha. Todo mundo jogando PS2. Todos raspando loteria instantânea. Todo mundo botando aquele adesivo imitando mancha de tinta no carro.

Todo mundo comprando seja lá o que a Apple oferecia. Todo mundo fã de vôlei. Fã de Fórmula Indy. De UFC. Internet, todo mundo no e-mail, Orkut, Twitter, Facebook. Todo mundo no YouTube.

Você certamente se lembrou de boas passagens de sua vida com esses exemplos, não?

É possível que nem todos, é verdade, mas alguns estão ali, vivos em sua memória. E provavelmente isso fez você pensar em algumas outras modas e modismos dos quais fez parte, certo?

Normal. Todos temos esses momentos. O ser humano é um animal extremamente social e, como tal, precisa que outros o aceitem em seus círculos sociais, suas tribos, seus bandos.

Então, começamos a, meio sem querer, imitar aqueles a quem queremos agradar, e nos congregamos em bandos.

Essa integração pode demorar muitos anos – o tempo que demora para comprar uma casa naquele bairro e aprender a jogar golfe – ou pode ser instantânea.

Há uma cena muito forte no filme Sociedade dos poetas mortos em que o professor interpretado por Robin Williams leva seus alunos para o pátio e pede para um grupo deles começar a andar.

Sem ordem nenhuma, eles passam a andar em fila, sincronizando os passos, os outros marcando a cadência com palmas. Criação instantânea de um bando, de um clube.

O professor depois dá uma aula contra o conformismo. Porém, a lição que nos interessa é que seres humanos tendem a se integrar, a agir como grupo.

Mesmo os ditos rebeldes, que adotam uma maneira alternativa de agir e de viver, tendem a se unir com seus semelhantes.

Assim, há grupos de góticos, de aficionados por determinada música e cultura, existem os novos hippies (com a diferença de que, hoje, para usufruir uma comunidade hippie em paraíso ecológico você precisa ser rico) e assim por diante.

E não é apenas nossa aparência que se compatibiliza a um grupo. Nosso modo de agir e até de pensar também muda.

O efeito manada

O efeito manada

O economista britânico John Maynards Keynes ensinou sobre os efeitos do pensamento de manada. O indivíduo tende a pensar conforme as outras pessoas do grupo. Inclusive no que diz respeito ao destino do dinheiro.

É muito fácil ir a uma loja comprar algo de uma marca e ser convencido pelo vendedor a levar o produto do concorrente. E o mesmo acontece com investimentos.

O efeito manada pode ser negativo ou positivo. Qualquer pessoa que já comprou em uma loja virtual ou baixou um aplicativo no smartphone sabe da importância da opinião dos outros.

O mesmo vale na hora de escolher um filme no cinema ou um restaurante. Você vai sempre naquele mais cheio. Na hora de escolher a operadora de celular, também. Você pergunta para familiares e amigos qual é a “menos pior”.

Isso sem falar na diferença de assistir um jogo sozinho pela TV e ir no estádio, no meio da torcida.

O lado negativo fica evidente em grandes concentrações de pessoas. Basta uma pessoa fazer alguma besteira e logo a confusão é generalizada.

Agora imagine o que a força da manada pode fazer com seu dinheiro…

A manada no bolso

A manada no bolso

Vamos imaginar duas empresas com números bem parecidos na Bolsa. Boas, sólidas, com retrospecto de dividendos.

Uma faz equipamentos para otorrinolaringologia (AAAA3), outra fabrica colchões (ZZZZ3).

Aí, você pega 100 investidores e dá, para 99 deles, um material indicando que os papéis ZZZZ3 são ligeiramente superiores.

Para o indivíduo restante, você dá uma informação contrária: a AAAA3 é que é a melhor opção.

Aí, você coloca todos em fila diante de um terminal de home broker para que comprem seus papéis. Digamos que esse terminal anuncia, em um telão, o papel escolhido por cada um.

Detalhe: coloque o sujeito que recebeu a recomendação para a AAAA3 para ser o primeiro a comprar. Ele vai, sem nenhuma sombra de dúvida, comprar o papel recomendado.

Nesse momento, o segundo da fila entra em parafuso. Sua convicção pessoal e a escolha do primeiro da fila se anulam.

Sua mente se agarra então à matemática não muito racional, mas matemática: 100% das pessoas até ali compraram AAAA3 e nenhuma ZZZZ3.

E, mesmo que seja a opção menos favorável, pelo menos ele não vai errar sozinho. São grandes as possibilidades dele escolher AAAA3.

O terceiro da fila não precisará pensar muito. Vai de AAAA3, assim como todos os outros.

Quer dizer, até o número 80 aproximadamente. Ele também vai querer comprar AAAA3, mas na vez dele o papel vai estar tão caro que ele vai pesar a decisão.

Assim, mesmo tendo convicções próprias, mesmo não falando com ninguém, podemos mudar de opinião.

E, quando ouvimos outras pessoas, então, o convencimento é mais rápido.

É um tal de “meu sogro tem um conhecido no Banco Central que disse que…”, “não espalha, mas os bancos estão agitados porque…” e afirmações similares.

Somos convencidos, não por especialistas, não por economistas, não por pessoas do mercado, mas por amigos e conhecidos de que “tal investimento é o melhor”, e assim o dinheiro vai em ondas para cá ou para lá. E as dicas dos amigos, infelizmente, nem sempre são seguras.

Não é o gerente do seu banco, por exemplo, que o convence a entrar numa pirâmide financeira.

Chame de avião, de corrente de amigos, sistema binário, não importa. Se o foco é recrutar mais pessoas e tirar o dinheiro delas e convencê-las a recrutar mais vítimas, não é investimento. É crime. Pena que esse tipo de contravenção nem sempre é fácil de ser identificado.

O efeito manada e as avestruzes

O efeito manada e as avestruzes

Quem aí se lembra da Avestruz Master? A empresa vendia cotas de avestruzes, com a promessa de lucros fabulosos na carne e ovos dos bichos.

Venderam tantas cotas que, no papel, tinham 600 mil aves. Na realidade, 38 mil.

O esquema acabou sendo descoberto, sócios da empresa fugiram do país, e muita gente perdeu dinheiro.

Passou para a história como uma das maiores fraudes do Brasil e um exemplo de que, quando quer, a justiça trabalha em um ritmo aceitável: o esquema foi desmantelado em 2005 e os responsáveis condenados em 2010.

O caso Avestruz exemplifica bem o comportamento de manada em investimentos: quando estourou, o golpe tinha 40 mil cotistas no Brasil inteiro, 30 mil em Goiás.

Por que essa concentração? Justamente por causa do “amigo fala para amigo”, e do exemplo das ações AAAA3 e ZZZZ3.

Se você vê muita gente comprando avestruz, vai comprar também. Mesmo que ninguém fale com você. É o efeito manada atacando de novo.

Como não cair em ciladas

Como não cair em ciladas

Existem muitas maneiras de se identificar um investimento de legalidade duvidosa e evitar cair no efeito manada. As mais básicas:

  • É bancado por alguma instituição financeira registrada e que segue as normas do Banco Central?
  • Lembre-se de que a Taxa Selic é quanto um banco cobra para emprestar para outro banco. Se um investimento paga a você acima dessa taxa, é necessário haver um excelente motivo. O mesmo vale para o índice Bovespa. É extremamente difícil bater frequentemente tal índice. Não existe mágica na economia.

Em suma, na hora de investir, mantenha o ditado na cabeça: “quando a esmola é muita, o santo desconfia”.

Essas regras podem ajudar você a identificar um investimento duvidoso, mas e quanto ao resto?

Existem dezenas e dezenas de investimentos legítimos, e centenas de pessoas tentando direcioná-lo para um ou para outro. Aqui vão algumas dicas que podem ser úteis:

1 – Informe-se antes

Informe-se antes

Essa é uma das grandes vantagens de se investir em ações, principalmente as que pagam bons dividendos: você tem toda informação que precisa à disposição.

Existem especialistas que podem começar a guiá-lo pelo processo. Você pode, por exemplo, assistir a minha videoaula online gratuita sobre o assunto.

Depois, você pode analisar o setor de Relações com Investidores no site da empresa, ver o que se fala da companhia colocando seu nome no Google Notícias.

Em comparação, aplique em um fundo bancário qualquer e vá, dois dias depois, perguntar ao seu gerente onde está o seu dinheiro. Ele não sabe. Provavelmente, ninguém no seu banco sabe.

É capaz de que apenas um funcionário de médio-escalão de Hong Kong saiba onde, exatamente, o dinheiro daquele fundo está.

Mas na velocidade do mercado financeiro, até você chegar a ele os recursos foram para outro lugar.

2 – Uma vez informado, não tenha medo de desafiar o senso comum

Uma vez informado, não tenha medo de desafiar o senso comum

Voltando a Keynes, ele afirmou que

“O senso comum dita que é melhor para a reputação de um profissional falhar fazendo o convencional do que ser um sucesso com o não-testado

Lógico. Se boa parte dos profissionais fracassa em algo, a culpa é algo externo, como o mercado.

Se você tem sucesso com algo inédito, pode ser barrado em entrevistas de emprego “você é bom, mas tem fama de rebelde demais para essa empresa…”.

Mas, quando se trata de seu dinheiro, siga o que Benjamin Graham, o pai do value investing, diz:

“Você não está certo ou errado porque a maioria não concorda com você. Você está certo porque sua coleta de dados e análise estão certas.”

E, se você tiver plena confiança de sua análise e for ousado, siga o conselho do discípulo de Graham e maior investidor de todos os tempos, Warren Buffett:

“Seja cauteloso quando todos são ambiciosos, e ambicioso quando todos são cautelosos.”

3 – Mas não seja “do contra” só por ser

Mas não seja “do contra” só por ser

Para citar de novo Buffett:

“O mais importante em um investidor é o temperamento, não o intelecto. Você precisa de um temperamento que não sinta prazer demasiado em ir junto ou contra a multidão.”

De novo, siga as informações que você adquiriu. Existem situações que elas batem com o que a maioria faz. Existem situações em que não. Nos dois casos, faça o que você identificou que é certo.

4 – FoqueFoque

A manada, vez por outra, vai oferecer “aquela” oportunidade. Um terreno, um investimento, dólar. Warren Buffett, de novo, alerta:

“A diferença entre pessoas bem-sucedidas e pessoas muito bem-sucedidas é que o segundo grupo diz não para a maioria das coisas.” 

“Diversificação é uma arma contra a ignorância. Faz pouco sentido para aqueles que sabem o que estão fazendo”.

Então, treine agradecer e recusar educadamente a oferta de seu amigo. Nada de tirar correndo o dinheiro de sua aposentadoria para aplicar naquela oportunidade.

Aliás, isso nos leva a próxima dica sobre o efeito manada.

5 – Não deixe suas emoções interferirem

Não deixe suas emoções interferirem

Você já viu a cena. Quando o governo anuncia alta no preço dos combustíveis, centenas de pessoas saem de suas casas, enfrentam filas quilométricas em postos para encher o tanque e economizar R$ 10 ou R$ 15.

Vejamos. A pessoa gasta combustível para ir ao posto, ficar com o carro parado esperando sua vez e voltar para casa.

Gasta uma ou duas horas que poderiam ser dedicadas a família, ou lendo um livro de sua área que o ajudaria a ganhar uma promoção.

Ou fazendo contatos profissionais. Ou melhorando sua fluência em língua estrangeira. Ou ampliando seus horizontes assistindo uma peça de teatro ou filme.

Isso tudo por quê? Porque a emoção a fez entrar em pânico por “dizer” que ela precisava encher o tanque antes que o preço suba. É o efeito manada.

O mesmo acontece com investimentos, principalmente aqueles variáveis. Aqui vai uma dica:

O dólar vai subir e vai cair alguns centavos durante a semana. Sua ação vai variar para cima e para baixo no mês. Via de regra, aceite e não corra para vender ou comprar a cada variação.

Lembre-se de que renda variável é lugar para o dinheiro que você não precisa. Então, pare de se preocupar e acompanhar a variação minuto a minuto, relaxe e vá cuidar de sua vida.

Aproveite todas as vantagens (e são inúmeras as vantagens) do efeito manada em seu círculo de amigos e contatos profissionais.

Mas na hora de investir, vá atrás de informações sólidas, de profissionais. Aí, feche a porta, defina sua estratégia e atenha-se a ela. E deixe a manada estourar para onde quiser.

Por fim, sugiro que complemente o aprendizado sobre o efeito manada lendo os seguintes artigos:

E você, tem alguma história para compartilhar a respeito do efeito manada? Conte pra mim nos comentários.

Bons investimentos!

André Fogaça

André Fogaça é empreendedor digital, investidor e co-fundador do GuiaInvest. É formado em Administração de Empresas pela UFRGS e pós-graduado em Economia e Finanças pela mesma instituição. Possui credencial de administrador de carteiras e consultor de valores mobiliários pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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3 comentários

  • Muito bom : efeito manada ou Mª vai com as outras dá na mesma e precisamos ter cuidado e o cuidado ficou claro agora: conhecimento do mercado

  • Muito bom o artigo,
    Mas fiquei em dúvida com uma parte do artigo que fala ” Como não cair na ciladas” que fala da Taxa Selic, que empresta dinheiro entre os bancos, não seria a Taxa CDI?
    Mas o restante são dicas valiosas para os investidores não importa se é iniciante ou profissional, segui dicas das outras pessoas que acham que é o mais sábio ou dicas ” quentes”.
    Devemos estuda e analisa as empresas que queremos investir, par depois não culpa as outras pessoas.